Pense no mundo de agora
Pare tudo o que está fazendo agora e olhe para o mundo.
Observe-o com atenção.
Tente entender por que ele parece tão cruel.
Por que canalhas são aplaudidos enquanto os dignos são apedrejados?
Percebe como a mediocridade ganhou voz, espaço e poder?
E então - o que você pode fazer?
O que nós podemos fazer?
Talvez o primeiro passo seja identificar, sem anestesia, o que está acontecendo.
Nada está realmente bem. E fingir que está só piora.
Depois da pandemia, algo se rompeu. Não foi apenas sanitário: foi moral, social, psicológico.
Muitos não suportaram o próprio convívio, e, ao saírem de seus isolamentos, trouxeram consigo versões mais cruas, mais agressivas, mais descompensadas de si mesmos.
A confusão entre religião e política virou ferramenta de manipulação.
A banalização do absurdo transformou influenciadores em defensores do indefensável.
O entretenimento, em certos casos, flerta com o vício como modelo de negócio - e isso não é acidente, é projeto.
Instituições que deveriam proteger se tornaram, em alguns casos, campos de disputa ideológica ou moralmente ambígua.
Autoridade sem ética vira apenas força.
Fé sem reflexão vira instrumento.
Liberdade sem responsabilidade vira destruição.
O problema não é apenas “eles”. Nunca foi.
É o terreno que permitiu isso crescer: ignorância cultivada, ganância normalizada, indignação seletiva.
Quando tudo se mistura — crime, poder, fé, dinheiro — o resultado não é caos por acaso. É um sistema.
E a questão central permanece:
o que fazer diante disso?
Identificar é o começo.
Recusar a anestesia também.
Mas talvez o mais difícil seja não se tornar aquilo que se critica.
Porque um mundo cruel não precisa apenas de mais revolta, precisa de lucidez que não se corrompa.
Glauco Viana
Enviado por Glauco Viana em 05/05/2026