A Transfobia mata
A transfobia está em alta.
Em vários lugares do mundo, grupos políticos, influenciadores e até líderes de Estado demonstram abertamente hostilidade contra pessoas trans.
O que antes muitas vezes aparecia disfarçado hoje surge sem pudor.
Virou quase uma guerra cultural.
Programas de televisão discutem com indignação quando uma pessoa trans ocupa espaços de liderança em causas sociais.
Redes sociais estão inundadas de vídeos e discursos abertamente transfóbicos.
Muitas vezes esse ódio vem acompanhado de símbolos de autoridade moral — discursos religiosos, bandeiras políticas ou discursos sobre “ordem” e “tradição”.
Mas no fundo o que aparece é algo mais simples e mais cruel: desprezo pela existência do outro.
A pergunta inevitável é: onde isso vai parar?
Se a violência simbólica cresce, o risco é que ela se transforme também em violência real.
E isso já acontece.
O Brasil, por exemplo, aparece frequentemente em levantamentos internacionais como um dos países com maior número de assassinatos de pessoas trans.
Ainda assim, muitas pessoas preferem transformar a existência dessas pessoas em espetáculo político.
Discussões sobre banheiros, corpos e identidades são usadas como ferramentas de mobilização ideológica, enquanto problemas muito mais graves da sociedade continuam sem solução.
Isso revela algo preocupante: há setores da sociedade que se sentem profundamente incomodados com a liberdade do outro.
E quando a liberdade do outro incomoda, muitas vezes o que aparece não é debate — é perseguição.
Quando a política passa a alimentar esse tipo de hostilidade, cria-se um ambiente perigoso.
Porque discursos de desumanização sempre têm consequências.
A história mostra que quando uma sociedade começa a tratar determinados grupos como inimigos ou ameaças, o resultado costuma ser sofrimento, exclusão e violência.
Por isso a pergunta continua aberta: até onde esse clima de intolerância pode ir?
E mais importante ainda: quando a sociedade vai perceber que ninguém deveria ser ameaçado ou perseguido apenas por existir?
Glauco Viana
Enviado por Glauco Viana em 16/03/2026
Alterado em 16/03/2026