As portas se abrem sem a ganância humana
Há, sim, possibilidade de haver justiça no mundo.
Mesmo quando acreditamos que a humanidade “deu errado”, ainda reconhecemos algo essencial: a injustiça não é inevitável, ela é construída. A ganância humana — quando se torna regra, sistema e valor — fecha portas, concentra oportunidades e transforma o direito de viver em privilégio.
Se essa ganância fosse interditada, não apenas no plano individual, mas sobretudo nas estruturas que a legitimam, as portas da vida realmente poderiam se abrir de forma mais igual para todos. Justiça não exige perfeição humana; exige limites claros para aquilo que desumaniza.
Talvez a esperança não esteja em negar os erros da humanidade, mas em assumir que justiça nasce quando escolhemos conter nossos excessos e organizar o mundo a partir do cuidado, da partilha e da responsabilidade coletiva. Mesmo num cenário falho, ainda é possível decidir não reproduzir a falha.
Glauco Viana
Enviado por Glauco Viana em 21/01/2026