BRIZOLA AVISAVA
Avisava que o político que reza pode ser mais perigoso que o ateu que pensa.
E estava certo.
É lógica pura , tão evidente quanto o fato de a Terra ser redonda.
Inventaram um Deus para os ricos.
Um Deus que abençoa a ganância.
Um Deus que veste terno, senta em gabinete e chama o lucro de fé.
Da religião, fizeram negócio, da fé, fizeram palanque.
E dentro do parlamento, ergueram bancadas bíblicas que votam contra o povo, que negam direitos, que assinam leis que matam — tudo em nome de Deus.
Mas que Deus é esse?
Um Deus que protege abusadores e condena mulheres?
Que dá voz a quem violenta e silêncio às vítimas?
Desde que inventaram o político-pastor, a fé virou máscara, o púlpito virou arma, e o povo virou refém.
Um deputado chegou a propor criminalizar mulheres estupradas. Outros posam de santos, armados até os dentes, rezando antes de matar esperanças.
E o país, ajoelhado, assiste.
Governado por tarados de Bíblia numa mão e pistola na outra.
Por homens que transformaram a moral em espetáculo e a religião em escudo.
Brizola avisava. Mas ninguém ouviu.
Hoje, a fé virou moeda e o poder, altar.
O Brasil reza de olhos fechados, guiado por quem nunca acreditou em nada — além do próprio poder.
Glauco Viana
Enviado por Glauco Viana em 02/11/2025
Alterado em 05/04/2026