O mundo mentiu demais — e nós mentimos ainda mais.
Eu menti, e assumo.
Não que isso apague os malefícios da minha mentira,
mas descobri que viver na verdade é, de fato, maravilhoso.
O mundo mentiu para a gente dizendo que sucesso é trabalhar 12 horas por dia e ser patrão.
Mentira.
E muitos ainda inventam ter chegado “lá”,
por exigência do próprio mundo
e por falta de coragem de admitir
a verdade dessa vida inútil de querer ser melhor que o outro.
Vivemos numa era em que a aparência substituiu o ser.
Mentimos com filtro, com sorriso, com status.
A mentira virou moeda social,
e quem ousa ser verdadeiro paga caro.
Porque a verdade dói.
Ela não rende likes, não dá audiência,
não vende curso nem desperta inveja.
A verdade é simples demais para um mundo que ama o exagero.
A mentira, ao contrário, é glamourosa.
Ela brilha, tem marketing, tem seguidores.
É fácil mentir quando o mundo aplaude a performance.
Mas viver na verdade - ah, isso é revolucionário.
É o ato mais subversivo de um tempo doente.
É rasgar o figurino, despir a alma e dizer:
“não sou melhor que ninguém,
só quero viver em paz comigo mesmo.”
O mundo virou um teatro de mintomaníacos.
Uns mentem que são felizes, outros mentem que têm fé.
Há os que mentem por amor, e os que mentem por medo.
No fim, todos se perdem na própria encenação.
E talvez a salvação esteja em algo simples:
voltar a dizer a verdade —
mesmo que doa, mesmo que desmonte tudo.
Porque só quem encara a verdade
descobre que ser real é o único luxo que ainda resta.
Glauco Viana
Enviado por Glauco Viana em 02/11/2025
Alterado em 02/11/2025