COMO UM PROCRASTINOR FALOU...
Procrastinar é um hábito que virou epidemia silenciosa.
Não tosse, não sangra, mas contamina a alma.
Especialistas, médicos, cientistas e pacientes tentam decifrar esse enigma moderno — essa avalanche que mistura mente, corpo e culpa.
Procrastinar é, talvez, o sintoma mais humano do nosso tempo.
Um espelho das nossas ansiedades, dos medos que não confessamos.
É um vício.
Tão potente quanto o cigarro, a droga ou o álcool.
Mas este não tem cheiro, não deixa marcas visíveis — apenas o eco do que não foi feito.
Você acorda sabendo o que precisa fazer.
As tarefas piscam na sua mente como faróis de alerta.
Mas o corpo não responde.
Fica ali, imóvel, preso em um limbo entre o querer e o fazer.
Às vezes parece abstinência.
O peito aperta, o pensamento gira, e a lógica se esconde — mesmo quando está bem diante dos olhos.
Uma ligação simples, uma conta para cancelar, um e-mail para enviar.
Dois minutos que viram dias, meses, anos.
E o tempo, impiedoso, ri da nossa imobilidade.
Ninguém imagina o quanto um procrastinador gasta.
Não de dinheiro — mas de energia, de culpa, de minutos perdidos tentando reunir coragem.
É uma batalha travada em silêncio, todos os dias, contra um inimigo que mora dentro.
No dia seguinte, tudo recomeça.
A promessa de mudança.
A lista de tarefas.
O mesmo abismo.
Eu sei do que falo.
Procrastinar é abrir a porta para um visitante que não vai embora.
Ele se senta no sofá, toma seu café, e diz com calma:
“Deixa pra amanhã.”
E você acredita.
Glauco Viana
Enviado por Glauco Viana em 29/10/2025